Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves
Teresina, 22 de Outubro de 2017
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Artista retrata pessoas comuns em grafites em periferia de Teresina

10/04/2017 - 11h04
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Conhecida por ser uma zona de altos índices de tráfico de drogas e violência, a Vila Jerusalém, localizada na zona sul de Teresina, tornou-se um território estigmatizado. Com o intuito de mostrar o lado humanitário da comunidade, o artista plástico e grafiteiro Washington Gabriel, conhecido como W.G, iniciou um projeto em meio a casas e paredes sem reboco, intitulado de “Jerú”.

Patrocinado pela Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves (FMCMC), a proposta leva personagens da própria comunidade sendo retratados em grandes painéis nas fachadas das casas dos residentes locais.

“Esse é um projeto que une a periferia. Atrai os olhares para pessoas que muitas vezes passam despercebidas. Ao fazer o painel, é como se estivesse dando importância para uma pessoa que talvez seja invisível, que representa tantas outras”, diz o artista.

O grafiteiro é conhecido pelo realismo que imprime em suas artes. A idéia principal é pintar dez painéis com rosto de moradores escolhidos pelo artista e por outras pessoas da vila. “Nós avaliamos o que seria importante mostrar, daí escolhemos os personagens”, comentou. Os painéis representam não somente a ambientação da Vila, mas levanta a importância da indagação social. “É importante a sociedade voltar os olhos para as comunidades e as pessoas que vivem nela. Precisamos levantar alguma discussão e buscar valorizar o que é nosso”, completa.

Para o presidente da FMCMC, Luís Carlos Alves, a galeria de arte a céu aberto transforma o local e as pessoas que vivem nele. “Estivemos visitando a Jerú e percebemos a real necessidade da população em se apegar à arte. É muito bonito ver um trabalho tão delicado e bem feito transformando as ruas da Vila e instigando as pessoas a buscarem na arte uma maneira de encontrar um caminho diferente”, afirma o presidente.

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Grafite

W.G busca inspiração em líderes negros para impor realismo em seus grafites. “Já tem muito tempo que trabalho com isso. Homenagear pessoas comuns que tem histórias marcantes é o que me move. A periferia precisa de arte e cultura, e poder contribuir com isso é gratificante”, disse W.G.

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Grafiti vem da palavra italiana “graphein”, que em grego significa escrever, sendo também material de carbono que compõe o lápis. Seu surgimento na Idade Contemporânea se deu pela década de 1970 em Nova Iorque, onde alguns jovens começaram a deixar suas marcas nas paredes da cidade e, algum tempo depois, evoluíram com técnicas e desenhos.

O grafite é uma forma de manifestação artística em locais públicos, com diferentes técnicas. A arte chegou ao Brasil no final da década de 70 e atualmente o estilo brasileiro de grafitar é reconhecido entre os melhores do mundo. O movimento artístico sempre teve muitas polêmicas, pois muitas vezes foi e ainda é ligado à poluição visual e ao vandalismo. Após a Lei Nº 12.408, sancionada pela ex-presidente Dilma Roussef em 2011, o grafite foi descriminalizado e considerado como “manifestação artística”.

Em Teresina, as fachadas e muros têm diversos grafites que mostram a estética aliada à poesia e mensagens sociais.